#frases XXII

10 Março, 2012


Para que serve o que de bom praticamos, se sempre somos lembrados, e, julgados por nossos erros?

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#frases XXI

07 Março, 2012

Onde tem de ser ponto final, não pode ter vírgula.
Crescer é aprender a dizer adeus.

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D(R)esistir?

27 Fevereiro, 2012


Eu poderia dizer que eu não desisto de ti pelas tantas vezes que tu me levantaste quando eu fui ao chão. Por ter sido a primeira pessoa que olhou pra mim sem ter um olhar de piedade, ou, de medo. Por ter sido a pessoa que me deu carinho sem nada pedir em troca, que foi paciente, e, soube ouvir tantas vezes a mesma história, me dando os conselhos, os únicos que fiz questão de não deixar pelo caminho, doando-os aos ventos. Por tu teres sido exato o que tu és, sem máscaras, sem vaidade, sem se fazer ser maior do que qualquer um. Por tu sempre teres um sorriso para quando eu só tivesse lágrimas. Por estares sempre perto até mesmo quando eu te pedi para partires. Por teres sido quem me amasse em sequência, nos meus desatinos, na minha má sorte, na minha agonia, mas também na minha alegria, na minha realidade, mesmo que fora do teu alcance.  Por teres sido dura, colocando-me nos trilhos, na direção do certo, embora isso também pudesse te provocar dor. Não desisto de ti, por teres tu abdicado tantas vezes do teu amor, em razão da minha felicidade. Não conheço forma maior de amar senão a que tu demonstraste a mim.

Como eu poderia desistir de ti?



O que o amor uniu nem o tempo é capaz de dissolver.
Leonel

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Se ainda há fumaça, há fogo?

25 Fevereiro, 2012


Será possível alguém amar a mesma pessoa por duas vezes, em tempos diferentes? Ou, seria isso uma traquinagem sediada na latência de uma paixão que jamais por outros lados se aportou?

Haverá ainda derradeira possibilidade disso tudo não passar de um arrebatar de ânimos deflagrados pela perda da posse, uma posse estabelecida pela dor de um coração que deveras amou um alguém que nunca se importou.

As pessoas são armazéns insalubres para tantas incógnitas referentes ao amor. 

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A Sua Vez


Todos perguntaram o que aconteceu. Ele perguntou se ela estava bem.
E, então, ela teve a certeza de que era a sua vez de ser amada.

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O Despertar de Uma Lágrima (Final)

22 Fevereiro, 2012


E, no entanto, ambos refutavam. Salomão não acreditava ser possível ser visto além de sua aparência. Cris fingia ignorar a escuridão na qual se trancara para o amor. Fosse no corpo, ou, na alma, as marcas pareciam maiores que a violência de um verdadeiro sentimento. Por isso, bailavam-se nos olhares, esquivavam-se nas palavras, e, recorriam aos silêncios indevassáveis.

Em uma dessas visitas ao cabo de uma tarde chuvosa, Cris foi ter com Salomão por conta de um novo modelo de sapatos. Salomão, de pronto, deixou as botinas de um velho comandante da reserva militar, para se dedicar aos delicados pés de Cris. Seus pés eram tão diminutos quanto ela, e, seus dedos pareciam esculpidos por horas, em busca da perfeição. Assim, os via Salomão, mas se prestasse um pouco mais de atenção, teria visto que seus dedos eram desproporcionais, seus pés assimétricos, e, as curvas de suas plantas muito acentuadas, o que dificultava ainda mais o seu trabalho. Se o percebia ou não, o certo é que não se importava. Havia mais onde se pisar, do que aqueles pés podiam alcançar.

Violentamente, a porta de madeira do antigo celeiro abriu-se. Raios rasgaram-se pelo céu, iluminando as faces de todos. Salomão, e, Cris, sem nada entender, avistaram Manolo corrompido de raiva, de punhos cerrados, esbravejando impropérios por todos os lados, distribuindo socos ao ar. Seu alvo único era Cris, e, ele cuspia fogo, enquanto narrava aos quatro cantos o seu passado de dor. Olhares curiosos surgiram por toda parte. Os fatos eram distribuídos a quem quisesse ouvir, Manolo já não fazia mensura que também aquela história poderia nele respingar. Era mais penoso a Cris, que quando aos 13 anos se viu obrigada pela mãe, dona de um bordel, a servir-se de oferenda a seus clientes. Mesmo que não tolerando mais, tivesse fugido de casa, sua história já estaria para sempre manchada, e, aqueles que agora a ouviam, já a haviam condenado. Nunca soubera quem era seu pai.

Pouco a pouco, os curiosos foram se afastando, não só do celeiro, como também de Cris. Tiveram como grande vítima, o falso português, que se aproveitou do fato para inflacionar os preços de seus produtos. Cris, caiu-se ao chão, chorando copiosamente, lágrimas doídas, que lhe eram abandonadas aos trôpegos soluços. Cobria as faces com as mãos, numa mistura de raiva, decepção, vergonha, e, medo. Imaginara-se sozinha, mais uma vez, quando abandonou a casa de sua mãe, em busca de uma vida que não conhecia, mas que ela insistia em acreditar que existia.

Quando depois de muito chorar, percebeu Salomão parado a sua frente. Ele lhe estendeu a mão, que ela não recusou. Esfregou seus dedos sujos na camiseta branca que vestia por baixo do avental de couro, e, em seguida, secou as lágrimas de Cris, pacientemente. Foi a primeira vez que ambos não desviaram o olhar, e, se mantiveram fixamente, um aos olhos do outro. Salomão pegou sua mão pálida, e, trêmula, pousando-lhe um beijo, sem abandonar por um só segundo o olhar do dela. Ele, rude como tal, sem qualquer jeito com as palavras, disse que tinha orgulho dela, que jamais teve a honra de conhecer uma mulher assim.

- Assim como? Uma garota de bordel?

- Assim como uma mulher corajosa, que enfrentou um mundo tão pesado, sem se importar com o julgo das pessoas que nada conhecem da vida.

- E, você? Não se importa de onde vim?

- Importo-me em saber como você está agora. A pessoa que você foi, o que lhe aconteceu são frações de um passado, assim como esta minha cicatriz. Essa mesma cicatriz que afugenta as pessoas de mim, que me faz delas uma vítima sem direito a defesa. A ferida está fechada há tempos, mas esta cicatriz irá ficar para sempre, e, todos irão apontá-la, não importa quantos dias, e, anos passem.

- Como conseguiu essa cicatriz, velho marujo? – disse Cris enxugando as lágrimas remanescentes.

- Ah, você não sabe? Faz alguns anos, quando eu defendi uma pequena menina de 14 anos de um homem feito que ameaçava possuí-la, apontando-lhe uma faca em seu pescoço.
Engoliu seco. Lembrava-se do homem que havia tomado seu partido, mas não se lembrava de suas feições. Mas, agora, ali, tão perto, entendeu porque os olhos de Salomão sempre lhe foram familiar, ao passo que lhe causavam dor.

- Então...

- Então, obrigado por me deixar fazer parte de sua história, mas seria muito mais feliz se me permitisse também fazer parte de sua vida.

Abraçou-lhe ternamente, enquanto chorava. Agora não mais de dor. Mas, por ter encontrado quem a resgatasse. 

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O Despertar de Uma Lágrima (1)

21 Fevereiro, 2012


Salomão era um daqueles que pareciam ter sido destacados de alguma ilustração asteca. Seu olhar era doce, o que contrastava assustadoramente com o seu físico bárbaro. Alto, de ombros largos, mãos firmes, repleta de calos, cabelos navalhados militarmente, cicatriz do lado esquerdo da face, Salomão quase nunca falava, o que lhe rendia as adjetivações mais pessimistas. Sapateiro por razões que a vida não soube evitar, suas expressões faciais eram quase sempre imutáveis, exceto pelos seus olhos; duas gotas azuis, que se tingiam de cinza ou de fogo.

Cris, cujo restante do nome nunca se soube, era uma dessas especulações, que transitavam na língua do bairro. Seu jeito desconcertado de andar, aliado a seu sorriso fácil, de dentes alargados, ligeiramente espaçados, quase sempre de vestidos apertados, ao toque de dois dedos acima dos joelhos, boca cor de jambo, língua febril, ágil na narrativa de um fato novo, suscitavam as mais variadas definições. Mas, nunca se soube exatamente nada dela. Dizia que trabalhava com um executivo, dono de uma rede de investimentos, o que mais tarde ficaram sabendo se tratar do dono de duas pequenas padarias, uma em cada esquina, da rua de cima, e, na de baixo da ladeira.

Manolo, o falso português das padarias, que na verdade se chamava Viriato, havia se enviuvado pela terceira vez, e, diziam as fontes do bairro, que era apaixonado por Cris. No entanto, apesar de tudo, Cris era discreta em relação a sua vida privada, e, pouco falava de si. Era certo, contudo, que, não raramente, ia ter com Salomão, de quem sempre conseguia um desconto, por conta de um novo afazer sobre seus sapatos. Cris gostava de tê-los copiado de alguma revista de moda que via no salão, e, levava o desenho para que Salomão fizesse algo parecido. No começo, ele resistiu, dizendo não ser bom para essas coisas, mas havia algo em Cris que ninguém mais via, e, que Salomão tirava de letra.

Talvez, por isso, não gostava de ficar a sós por muito tempo com Salomão. Ele parecia adentrar sua alma, e, ler seus pensamentos. Salomão sorria todas as vezes que ela desviava o olhar dos seus. Não era flerte. Não ali, embora, Salomão se confessasse intimamente, que Cris exercia algum poder de sedução que jamais outra mulher chegou a ter com ele. Mas, ele não nutria esperanças. Era um homem rude, de poucas palavras, com uma cicatriz horrível na cara. Ela era a cortejada do Manolo, alguém que poderia oferecer a ela algo que ele jamais poderia. Seus olhos tingiam-se de cinza nessas horas. E, os dela, ele já nem mais via. Se os visse, contudo, saberia que eles teriam igual espelho.

Era preciso que assumissem suas diferenças, para que soubessem que eram iguais. 

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